O candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente e candidato à reeleição Lula (PT). Foto: Agustin Marcarian/Reuters
Publicado por Diario do Centro do Mundo
Uma análise do debate presidencial da TV Globo, realizado nesta sexta-feira (23), de autoria do cientista político Antônio Lavareda, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu o confronto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) por três blocos a um. O levantamento atribuiu nota média de 7,8 ao petista, contra 7,0 do adversário, e concluiu que Lula terminou o encontro em posição de vantagem a dois dias do segundo turno.
O relatório, intitulado “Avaliação Geral do Debate”, examina os quatro blocos do programa, o desempenho dos candidatos, a linguagem corporal, a capacidade de transmitir uma imagem presidencial e os possíveis efeitos eleitorais. A conclusão é direta: “Lula venceu o debate por margem clara, embora não esmagadora”.
No primeiro, Flávio Bolsonaro recebeu nota 7,4, contra 7,1 de Lula. A partir da segunda etapa, porém, o presidente assumiu a dianteira e manteve a vantagem até o encerramento. No segundo bloco, Lula obteve 8,0, diante de 6,9 do senador. No terceiro, venceu por 7,8 a 7,3. A maior diferença apareceu no quarto e último bloco, quando o petista recebeu 8,4 e Flávio ficou com 6,3.
A análise aponta que Lula começou o debate demonstrando irritação e dificuldades para administrar o tempo, mas melhorou progressivamente. A partir do segundo bloco, conseguiu relacionar sua trajetória pessoal às políticas sociais, apresentar realizações do governo nas áreas de renda, crédito e educação e assumir maior controle sobre os temas discutidos.
Um dos episódios destacados foi a reação do presidente à expressão preconceituosa “nove dedos”, utilizada por Flávio Bolsonaro para atacá-lo. Lula lembrou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho ainda jovem e exigiu respeito do adversário, que acabou pedindo desculpas. O relatório considera que o episódio favoreceu o presidente.
O momento de maior força de Lula, entretanto, ocorreu durante a discussão sobre o caso Ana Clara, envolvendo a defesa feita por Flávio de um policial acusado de atirar em uma criança de cinco anos. O documento aponta que o presidente colocou o senador na defensiva ao abordar a proteção das vítimas. Flávio, por sua vez, demonstrou tensão, errou o nome da mãe da criança e insistiu na inocência do policial.
Em relação ao desempenho do candidato do PL, a avaliação reconhece que ele chegou mais preparado e disciplinado do que no debate anterior. Seus melhores momentos ocorreram nas discussões sobre preços dos alimentos, endividamento, juros e segurança pública. Apesar disso, perdeu força ao longo do confronto, com o uso excessivo de bordões, informações consideradas imprecisas, manifestações de deboche e falta de detalhamento de propostas econômicas, como o chamado “tesouraço”.
A linguagem corporal também recebeu atenção. Lula transmitiu convicção e demonstrou domínio crescente do debate, enquanto Flávio começou mais controlado, mas perdeu segurança diante de questionamentos pessoais e do caso Ana Clara. Segundo a avaliação, a diferença ficou mais acentuada justamente no último bloco.
No quesito “presidenciabilidade”, o relatório considera que Lula projetou experiência, capacidade de governo e domínio de políticas públicas já executadas. Flávio demonstrou energia e capacidade de confronto, mas permaneceu mais associado à imagem de candidato de oposição do que à de um chefe de Estado.
O documento também avalia que o resultado pode beneficiar Lula entre eleitores indecisos, mulheres e segmentos menos ideologizados, especialmente aqueles sensíveis às políticas sociais e à proteção das vítimas. Flávio, por outro lado, teria preservado sua base eleitoral, mas desperdiçado a oportunidade de ampliar sua vantagem.
A análise ressalva que o debate, isoladamente, não permite afirmar que a eleição esteja decidida. O impacto potencial seria de alguns décimos ou até cerca de um ponto percentual nas intenções de voto. A participação dos eleitores nas urnas e a consolidação das preferências continuam sendo fatores decisivos.
“Lula ganhou o debate e voltou integralmente ao jogo. Flávio preservou sua competitividade, mas terminou o confronto em posição defensiva”, diz.
A avaliação chega na reta final de uma eleição marcada pelo equilíbrio entre os candidatos. Na pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (22), Lula e Flávio Bolsonaro apareciam empatados, com 50% dos votos válidos para cada um. O segundo turno será realizado neste domingo (25).

