O AGRO MATA

Certu Na Chapada do Apodi, no interior do Ceará, aviões sobrevoavam baixo e despejavam agrotóxico sobre os roçados — e sobre as casas, as escolas e as crianças do Sítio Tomé. Foi a filha de José Maria Filho, o Zé Maria do Tomé, que adoeceu primeiro: a água da comunidade estava envenenada. Ele virou a voz da região contra a pulverização aérea, e a luta dele ajudou a emplacar em 2009 a lei municipal de Limoeiro do Norte que proibia os aviões. Em 21 de abril de 2010, Zé Maria voltava de moto para casa por uma estrada vicinal pouco movimentada quando foi emboscado e atingido por 25 tiros. Cerca de um mês depois da morte dele, a lei que tinha conquistado foi revogada. Veneno em quem plantava, chumbo em quem denunciava — e quase quinze anos até a primeira condenação. O Agro mata.