- Povo nas ruas pró-Lula - Foto: Ricardo Stuckert
Essa vitória não será “apenas” presidencial, venceremos o fascismo, a Meta e a grande mídia
Por: Adriana Mendes na Revista Forum
Faltam um dia para salvar a democracia no Brasil. E vou além, salvando a democracia aqui estaremos ajudando a salvar a da América Latina também. Tenho amigos em muitos lugares e recebi mensagens do Chile, da Argentina e da França, com pessoas preocupadas com o oprimido escolhendo o opressor.
Sei que estamos exaustos, mas imaginem a legião bolsonarista, que vive na nas redes sociais compartilhando, comentando e postando (quase sempre notícias falsas) há anos. Se nos sentimos assim em poucas semanas, pensei o quanto essas pessoas estão adoecidas. A diferença é que adoecemos na esperança e não no ódio. Adoecemos por conhecer a história e saber que Hitler e Mussolini foram eleitos por vontade popular.
Hitler era líder do Partido Nazista e após a primeira Guerra Mundial a Europa estava devastada e descontente. Ele usou “Deus, Pátria e Família” e fez com que acreditassem que judeus e comunistas eram inimigos do povo alemão.
Nas eleições parlamentares de 1932 fez a maioria no Congresso. Fez alianças com políticos conservadores. Achavam que ele não era tão radical e poderiam controlá-lo. Devido à sua popularidade, o então presidente Paul Von Hindeburg o nomeou chanceler. Em 1933, o prédio do parlamento alemão pegou fogo e Hitler culpou os comunistas. Depois deram poder para que ele legislasse sem necessidade do Congresso.
Então, em 1934, com a morte do presidente, Hitler, que não deixou de ser chanceler, também assumiu a presidência e se autoproclamou Führer (líder) absoluto da Alemanha. O que veio depois a maioria deve saber: o Holocausto, com o extermínio de mais de 6 milhões de judeus, comunistas, ciganos e qualquer um que não aceitasse os ideais nazistas.
A história é tão recente, existem livros, fotos, vídeos, tantos filmes e séries sobre o tema, não dá para entender (ou talvez eu não queira acreditar), que tanta gente corrobore com políticas de extermínio e retirada de direitos. E, também por isso, essa vitória não será “apenas” presidencial, venceremos o fascismo, a Meta e a grande mídia. A concorrência não é justa, o ministro Nunes Marques, do STF, deu 24 horas para a Meta analisar o “Exército do Lula”, criado pelo deputado André Janones. Não duvido que tirem do ar, afinal são mais de 9 milhões de pessoas enlouquecendo o algoritmo e já sabemos quem a Meta apoia.
É tão óbvio que se a extrema direita vencer fará tudo o que quiser, é maioria no Congresso, no Senado e também será no STF. Facilmente, deputados federais e senadores eleitos farão impeachment de quem quiserem e colocarão outros ministros “terrivelmente evangélicos e fascistas”.
E também não é alarmismo prever que poderemos nem ter eleições em 2030, tanto que a direita também apoia Lula, afinal querem ter a chance de disputar o próximo pleito eleitoral. E a direita é uma linha política que dialoga, que pensa diferente da esquerda, mas que deseja o melhor para o país. O bolsonarismo apropriou-se da direita e os políticos de valor estão unidos para vencer essa barbárie. E venceremos!
Não voto só pela humanidade, voto pelos que nunca poderão votar: os animais, as árvores, os rios, o oceano. Estou morando num lugar de natureza exuberante, dou bananas para saguis, tem dois ninhos de passarinhos nas plantas, escuto a cachoeira ao fundo. Quero ver esses passarinhos nascendo, quero continuar com água limpa, quero que os macaquinhos continuem tendo árvores para morar.
O que me conforta, e espero que conforte todos vocês que lutam para manter e avançar em direitos civis, que não querem que destruam a Amazônia nem entregar o Brasil, é que o mundo acordou. Vários países estão com sua população nas ruas contra cortes em educação e cultura, contra a guerra e contra o avanço da extrema direita. A juventude pegou gosto em ir para as ruas e fazer cartazes.
A rua é nossa, a cidade, o país, é tudo nosso e continuará sendo.
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