por jornalista Alceu Castilho
"A Rede Globo tem uma espécie de Conselheiro Acácio à frente do Jornal Nacional. Chama-se César Tralli. A falar obviedades de forma cândida.
Rola uma tragédia, uma enchente? Tralli fala de forma protocolar algo deste tipo: "Realmente uma coisa muito triste. Força para as famílias".
Ao lado dele alinha-se Renata Vasconcellos. Ambos editores-executivos. Acima deles há uma editora-chefe. Seu nome, Cristiana Sousa Cruz.
Ela é filha do Alberico, aquele da famosa edição do debate entre Lula e Collor em 1989. Quando a Globo deu uma forcinha para o candidato do poder econômico.
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Cristiana dará espaço no JN para as manifestações estudantis que se espraiam a partir de Niterói?
"Muito bonito o ato", dirá César Tralli. "Importante a manifestação de cidadania".
Para a estátua de Santo Antônio de Pádua despedaçada em Jaú?
"Lamentável", afirmará Conselheiro Acácio. "Inaceitável numa democracia".
Serão veiculadas informações sobre os votos nos territórios do crime organizado, em particular das máfias que chamam de milícias?
"Isso não pode continuar assim".
Terão repercussão os coices dados por Ronaldo Caiado no jornalista Josias de Souza, do UOL, porque o apoiador de Flávio Bolsonaro não gostou de ser lembrado que definiu várias vezes o candidato como ladrão?
"A Rede Globo lamenta mais esse atentado contra a liberdade de expressão".
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A emissora do Jardim Botânico é a pior das emissoras privadas -- excetuadas todas as outras.
A gente acaba nem falando das demais, não é mesmo? Da Band alinhada com a extrema direita, da Record do bispo manipulador, do SBT dos espasmos da família Abravanel.
Seja pela audiência menor, seja porque a Globo supostamente se coloca como protetora de alguns direitos fundamentais.
(Em meio às sentenças do Conselheiro Acácio.)
A emissora que faz novelas com qualidade é a mesma que abriga em seus domingos uma figura infame como Luciano Huck, explorador cruel da imagem dos pobres.
De um lado tem Caco Barcellos e alguns profissionais que honram a condição de jornalistas -- em meio a Mervais e outros a serviço do poder.
A Globo promove pautas identitárias de uma forma que não vemos em outras emissoras. Abraça a luta contra o racismo, o machismo, a homofobia e a transforbia.
Com perspectiva liberal? Claro. Mas aparentando defender alguns contornos de civilização.
E no caso da cobertura eleitoral?
No caso da cobertura eleitoral, vemos uma distração infinita em relação à necessidade de informar a população sobre as conexões explícitas do candidato do PL com as máfias que chamam de milícias.
As conexões familiares de Flávio com o presidente em prisão domiciliar, aquele que já meteu uma solda em sua tornozeleira eletrônica. E com o governo dele, aquele show de horrores.
No caso da cobertura eleitoral e daquele que pode comandar o Brasil nos próximos anos (falando até em mudar a Constituição), a Globo aceita de bom grado a barbárie.
Lamentável.
Texto do Jornalista Alceu Castilho
