Preocupação das Forças Armadas sobre submissão aos EUA e segurança pública em eventual governo de Flávio Bolsonaro
oexpressobr.com.br
O alto comando do Exército brasileiro analisa com reserva o impacto de uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro nas próximas eleições presidenciais. Entre as principais apreensões do segmento militar estão os desdobramentos de um alinhamento automático com Washington — que poderia reabrir discussões sobre a concessão de instalações de uso militar aos Estados Unidos no território nacional — e a perspectiva de reemprego ostensivo das Forças Armadas no combate ao crime organizado em ações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
Soberania e presença internacional
A hipótese de abertura do território brasileiro para a presença militar norte-americana contraria diretamente diretrizes históricas da diplomacia de defesa nacional. Internamente, generais do Alto Comando destacam que a concessão de bases a forças estrangeiras fere princípios de soberania e pode comprometer o papel geopolítico do Brasil na América Latina, além de atrair tensões globais para o Atlântico Sul.
O tema não é inédito nos debates da direita alinhada ao bolsonarismo, mas volta a gerar cautela entre os oficiais encarregados da formulação estratégica de longo prazo. A prioridade defendida pela Força Terrestre permanece focada na modernização tecnológica das Forças Armadas e na autonomia operacional da Base Industrial de Defesa (BID), sem submissão a agendas externas.
Segurança pública e o uso contínuo de GLOs
Outra preocupação central da cúpula militar envolve a reincidência da utilização do Exército na segurança pública dos estados. O combate direto às facções criminosas e o policiamento ostensivo em grandes centros urbanos — modelo exaustivamente testado ao longo das últimas duas décadas — são vistos como intervenções desgastantes para a imagem e a prontidão da instituição.
Desvio de finalidade: O treinamento militar é voltado para a defesa da soberania e guerras convencionais, diferindo substancialmente do treinamento policial.
Segurança jurídica: A falta de garantias claras para os combatentes durante operações urbanas de alto risco continua sendo um ponto de forte atrito entre a caserna e o meio político.
Desgaste institucional: A atuação prolongada em comunidades urbanas expõe as tropas a cenários polêmicos, reduzindo o foco nos programas estratégicos de defesa das fronteiras continentais e marítimas.
Especialistas e analistas de defesa reiteram que a solução para o avanço do crime organizado exige o fortalecimento dos órgãos estaduais de segurança e da Polícia Federal, aliado à inteligência e ao controle das fronteiras, e não a perpetuação do uso do Exército como força policial ostensiva.
