Foto: Ricardo Stuckert
Crescimento do presidente em estados alinhados a Flávio Bolsonaro garante virada histórica nas urnas
por Guilherme Levorato no Brasil 247
O avanço expressivo no eleitorado do Sul e do Sudeste — redutos em que governadores alinhados à direita saíram vitoriosos — foi o pilar decisivo para a virada do presidente Lula (PT) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ao todo, o chefe do Executivo contabilizou um acréscimo de 10,3 milhões de votos em relação à primeira etapa da disputa eleitoral.
A performance de Lula registrou expansão em cada uma das unidades federativas do país. Além de reverter o cenário em Minas Gerais, único estado a registrar virada no segundo turno, Lula encurtou a distância para o rival nas demais praças governadas pela oposição, como São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul. O desempenho no Nordeste também foi determinante, com a conquista de cerca de 3 milhões de votos adicionais frente ao primeiro turno.
Em Minas Gerais, onde o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) havia despontado como puxador de votos ao superar a marca de 3 milhões de apoios na primeira fase, Flávio Bolsonaro liderava a disputa regional. No entanto, Lula adicionou 1 milhão de eleitores ao seu montante e assumiu a liderança no estado, encerrando a apuração com 50,4% da preferência do eleitorado mineiro.
No território paulista, principal colégio eleitoral nacional e palanque do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos), Flávio saltou de 12,9 milhões para 14,1 milhões de votos. Contudo, o avanço do presidente Lula no estado foi ainda superior: saiu de 9,5 milhões para 12,1 milhões. Na capital de São Paulo, o crescimento de Lula foi impulsionado por viradas em bairros como Jaçanã e Cangaíba, levando o presidente a passar de 46,6% para 55% dos votos na cidade.
A margem do adversário também encolheu expressivamente no Rio de Janeiro, onde o governador eleito no primeiro turno é Douglas Ruas (PL). Enquanto a diferença entre os candidatos era de 1,2 milhão de votos na primeira volta, o intervalo caiu para 603,6 mil eleitores. O atual presidente alcançou 4,5 milhões de votos em solo fluminense após somar 870 mil apoios adicionais.
Essa reação no Rio derivou diretamente da virada na capital do estado. Lula conquistou bairros do subúrbio carioca, a exemplo de Irajá e Brás de Pina, além de se impor em zonas eleitorais no centro de São Gonçalo, base eleitoral da família Ruas. O resultado final no município registrou 48% para o candidato do PT e 51,98% para o parlamentar do PL.
A evolução nos demais estados do Sul acompanhou o mesmo padrão de redução de vantagens da oposição:
Paraná: No estado onde Sérgio Moro (PL) se elegeu governador logo no primeiro turno, o acréscimo de Lula foi de 500 mil votos, superando o crescimento de Flávio, que somou 300 mil novos eleitores.
Rio Grande do Sul: Sob a gestão eleita de Luciano Zucco (PL), a margem favorável ao candidato do PL caiu de quase 1,3 milhão para pouco mais de 1 milhão de votos.
Paralelamente, a consolidação no Nordeste manteve a vantagem histórica da candidatura petista. Enquanto Lula conquistou quase 3 milhões de votos a mais na região, o adversário adicionou somente 362 mil eleitores, registrando sua maior retração no Maranhão, com 12 mil votos a menos. No Norte, a dinâmica se repetiu: a candidatura do PT ganhou cerca de meio milhão de votos, enquanto o nome do PL perdeu 2 mil eleitores.

