Graziela - Crimes & Mistérios
Na noite do dia 11 de agosto de 2011, a juíza Patrícia Acioli, titular da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio, foi morta com 21 tiros quando chegava à porta de sua casa, no bairro de Piratininga, em Niterói.
O crime chocou o país e se tornou um dos casos mais graves de ataque à Justiça brasileira, porque os assassinos não eram bandidos comuns: eram policiais militares.
Patrícia era conhecida pelo rigor contra a violência policial.
Ela era responsável por julgar processos em que policiais eram acusados de homicídios e extorsões, e investigava as máfias de policiais corruptos que agiam em bairros pobres de São Gonçalo.
Por causa desse trabalho, recebia ameaças de morte com frequência.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça, ela foi alvo de quatro representações de advogados e de envolvidos em processos, todas por abuso de poder, e todas foram arquivadas por falta de fundamento.
Naquela noite, a juíza dirigia sozinha.
Ela estava ao volante de seu carro quando foi surpreendida por homens encapuzados, em duas motos e dois carros, que dispararam contra ela.
Patrícia morreu no local.
A investigação avançou rápido, e o motivo ficou claro: a juíza estava prestes a mandar prender policiais do 7º Batalhão da PM, de São Gonçalo.
Segundo o delegado do caso, a prisão de um cabo decretada por ela em junho de 2011, por forjar um "auto de resistência", fez o grupo acelerar o plano de execução.
As investigações concluíram que o crime foi planejado dentro do batalhão para impedir as prisões.
Onze policiais foram denunciados e condenados pela morte da juíza. 
O tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira, então comandante do 7º Batalhão, foi apontado como o mandante.
Ele foi condenado a 36 anos de prisão.
O tenente Daniel Benítez, comandante do grupo tático do batalhão, também foi acusado de ser um dos mandantes, e, segundo a acusação, chegou a visitar o local da emboscada um mês antes do crime.
Um dos executores, o policial Sérgio Costa Júnior, confessou o crime e foi condenado a 21 anos de prisão.
Somadas, as penas dos onze condenados passam de 250 anos.
O caso, no entanto, deixou perguntas incômodas.
O promotor responsável por um dos julgamentos criticou o Tribunal de Justiça e o governo do Rio, que determinaram a retirada da escolta armada da juíza mesmo depois de várias ameaças.
O tribunal também havia negado a ela um carro blindado, com o argumento de que não tinha dinheiro para arcar com o gasto.
Outra situação causou revolta na família: o tenente-coronel apontado como mandante só foi expulso da PM em maio de 2023, mais de 11 anos depois do crime, e até abril daquele ano ainda recebia salário de R$ 10,6 mil por mês.
Mais de quinze anos depois, Patrícia Acioli continua a ser lembrada como símbolo da luta contra a corrupção e a violência dentro da polícia.
Seu nome hoje batiza o prêmio de direitos humanos da Associação dos Magistrados do Rio de Janeiro, uma homenagem à juíza que pagou com a vida por cumprir o próprio trabalho.
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