Trump descarta encontro com Flávio Bolsonaro após fuga para os EUA

Flávio Bolsonaro com Donald Trump na Casa Branca - Foto: Divulgação/ Casa Branca Presidente dos EUA diz que senador pode permanecer no país, mas nega planos de recebê-lo; 25 deputados democratas cobram explicações sobre o papel de Washington na fuga Por: Ivan Longo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (31) que não tem planos de se encontrar com Flávio Bolsonaro (PL), que fugiu para o país após descumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar seus passaportes à Polícia Federal. Embora tenha defendido a permanência do senador em território norte-americano, Trump afastou a possibilidade de uma reunião neste momento e atacou a eleição brasileira vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram dadas a jornalistas no clube Mar-a-Lago, na Flórida, três dias após o desembarque de Flávio em Miami, na quarta-feira (28). O senador deixou o Brasil acompanhado da esposa e das duas filhas, passou pela Argentina e pelo Equador e chegou aos EUA depois de descumprir a determinação do ministro Alexandre de Moraes. Questionado sobre um encontro com o brasileiro, Trump respondeu: “Sem planos de encontrar, mas acho que ele foi tratado muito mal. Então ele pode ficar aqui o tempo que quiser.” Ao ser novamente pressionado pelos repórteres, o presidente dos EUA repetiu a defesa do senador e acrescentou: “Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha. Ele foi tratado muito mal, e pode ficar aqui o tempo que quiser.” Trump afirmou ter acompanhado a disputa brasileira e disse que não tomou partido a pedido do próprio presidente Lula. Ainda assim, voltou a atacar o pleito. “Achei que foi um grande constrangimento para o povo brasileiro”, declarou, sem apresentar qualquer prova de irregularidade. Rubio nega ajuda à fuga, mas confirma autorização de Trump Mais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou que Washington tenha organizado a saída de Flávio do Brasil, mas confirmou que Trump autorizou pessoalmente sua entrada no país. As declarações foram feitas em entrevista coletiva em Atlanta, às margens da reunião de chanceleres do G20. “Não facilitamos nada”, afirmou Rubio. Na sequência, reconheceu a decisão do presidente: “Ele já tinha um visto, e o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país”. Segundo o secretário, Trump havia determinado a concessão de uma autorização migratória especial, o parole, caso Flávio chegasse a um posto de controle de imigração estadunidense. A autorização para receber o senador, portanto, antecedeu sua chegada aos Estados Unidos. Rubio procurou separar essa decisão dos preparativos para a viagem. A negativa de participação na organização da saída do Brasil, porém, não afasta o aval antecipado da Casa Branca ao ingresso do parlamentar. “Não estávamos envolvidos em nenhum dos acordos ou preparativos que ele fez para deixar o país. Ao menos, o governo dos Estados Unidos não participou diretamente de nenhuma das ações realizadas”, afirmou Rubio. Aliado de Trump é citado na articulação do avião Reportagens do The New York Times e do The Wall Street Journal apontaram a participação de Jason Miller, aliado e conselheiro de Trump, na organização do avião particular utilizado por Flávio. Segundo os dois jornais, Miller teria participado de articulações com Eduardo Bolsonaro para providenciar a aeronave. O aliado de Trump não esclareceu publicamente sua participação no episódio. Democratas cobram explicações sobre a entrada de Flávio A chegada do senador também passou a ser alvo de questionamentos no Congresso americano. Um grupo de 25 deputados democratas solicitou explicações ao Departamento de Estado sobre o papel do governo Trump na viagem e questionou se recursos diplomáticos e migratórios foram utilizados para facilitá-la. Os parlamentares querem esclarecer: Como foi organizada a operação que levou Flávio aos Estados Unidos; De que forma o parole foi concedido ao senador; Se as autoridades estadunidenses tinham conhecimento das medidas judiciais em curso contra ele no Brasil. A cobrança ocorre às vésperas das eleições legislativas dos EUA, marcadas para terça-feira (3), em que os democratas apontam chances de conquistar o controle da Câmara e do Senado. O caso acrescenta pressão sobre Trump em meio à disputa pelo Congresso. Trump também levantou dúvidas sobre a aceitação do resultado das próprias urnas, ao declarar que “respeitará, se forem eleições honestas.” Enquanto ataca a eleição brasileira, reconhecida inclusive pelo partido de Flávio, Trump condiciona o reconhecimento do pleito em seu país — uma contradição que se soma aos questionamentos democratas sobre a atuação de seu governo. #flaviobolsonaro #bolsonaro #trump #usa #eua