segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O adeus a Zilda Arns



Zilda Arns faleceu durante o terremoto do Haiti, enquanto fazia palestra, voluntariamente, para centenas de pessoas sobre técnicas de alimentação e amamentação para combater a fome e a desnutrição. Sua morte entristeceu brasileiros e povos do mundo inteiro onde ela levou seu trabalho, esperança e dedicação aos menos favorecidos. A família Arns veio de Santa Catarina e se estabeleceu no bairro Água Verde, no período da colonização. E foi no bairro Água Verde que o corpo de Zilda Arns foi sepultado, ao lado de familiares.
VELÓRIO - O corpo de Zilda Arns Neumann, médica pediatra e fundadora da Pastoral da Criança, foi velado no Palácio das Araucárias, sede do Governo do Paraná. O caixão foi carregado por cadetes da Polícia Militar, da Academia do Guatupê, e recebido com aplausos por populares e voluntários da Pastoral da Criança. A cerimônia ficou aberta a toda população até as 11 horas de sábado (16), inclusive durante a madrugada. No início da tarde, houve interrupção de uma hora para a realização de missa fechada aos familiares.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu chefe de Gabinete, Gilberto Carvalho, a ministra Dilma Roussef, o prefeito Beto Richa, presidente da Câmara, vereador João Claudio Derosso, senador Flávio Arns e o governador Roberto Requião vieram ao velório, além de outras autoridades.
“A nossa preocupação foi para que todos tivessem acesso e fossem bem atendidos no velório. A família vem recebendo todo apoio do governo federal, estadual e prefeitura”, afirmou Caroline Arns. A Pastoral da Criança, organização criada por Zilda Arns, participou da organização do velório.
“Minha tia sempre foi uma otimista e provou que é possível transformar para melhor quando as pessoas trabalham juntas. Temos convicção que esses milhares de voluntários vão permanecer unidos”, afirmou Caroline. “Tia Zilda sempre defendeu que os trabalhos nas comunidades tinham que ser feitos por pessoas que moram lá, justamente para garantir a continuidade”, lembrou.
Como estímulo às organizações sociais, e para manter a memória da médica, o governador Roberto Requião defendeu a criação de um prêmio nacional em nome de Zilda Arns, bem como que o governo federal defenda sua indicação póstuma ao Nobel da Paz. “Acho importante que a Zilda não seja esquecida e que seu testemunho não seja olvidado. Por isso sugeri ao presidente esse prêmio, que seria destinado para pessoas que se destaquem no combate à mortalidade materna e infantil,” afirmou Requião.
Uma missa de corpo presente, somente para familiares, foi realizada sábado (16), às 14h, pelo cardeal dom Geraldo Majela Agnello, transmitida ao vivo pela TV Paraná Educativa. O enterro, também restrito aos familiares, ocorreu no Cemitério Municipal da Água Verde, em Curitiba. Zilda morreu na terça-feira (12), aos 75 anos, vítima do terremoto que atingiu o Haiti.
PASTORAL – Zilda Arns criou a Pastoral da Criança em 1983, em Florestópolis, cidade próxima a Londrina, no Norte do Estado. A instituição está presente em 4.016 municípios do Brasil e acompanha 1,6 milhão de crianças e 95 mil gestantes. Em todo o mundo, são mais de 300 mil voluntários. O trabalho da instituição é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde.
Filha de Gabriel Arns e Helena Steiner Arns, Zilda nasceu em 25 de agosto de 1934, em Forquilhinha, Santa Catarina. Era irmã de dom Paulo Evaristo Arns, cardeal arcebispo emérito de São Paulo. Viúva desde 1978, Zilda Arns era mãe de cinco filhos.
Em 1959, Zilda concluiu o curso de Medicina em Curitiba. Começou a vida profissional como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba. Ali, trabalhou entre 1955 e 1964 atendendo bebês menores de um ano. Foi também diretora-técnica da Associação Filantrópica Sara Lattes e chefe da divisão de Proteção Social do Departamento da Criança da Secretaria de Saúde Pública do Paraná.
A médica e sanitarista promovia a capacitação dos voluntários e sua transformação em agentes sanitários, trabalhando nas comunidades onde moram. Treinados, os agentes se tornam líderes comunitários aptos a colocar em prática ações básicas de saúde e acompanhar as famílias que estão sob sua responsabilidade.

Como roubar 19 bilhões dos paranaenses e ficar impune?


Esta matéria é parte da série de artigos revelando o maior roubo na história do Paraná, a quebra do Banestado no governo Jaime Lerner, quando verdadeiras quadrilhas organizadas, dentro e fora do Banestado, com o apoio de autoridades, promoveram um rombo nas contas públicas, deixando para os paranaenses pagarem a conta até 2029, algo em torno de 52 milhões de reais mensais, ultrapassando a soma de 19 bilhões ao final.
A quebra do Banestado, e sua venda ao Banco Itaú, foi uma tramóia para enrriquecer alguns poucos e enganar todo o povo do Paraná. Dinheiro de impostos que deveria estar sendo aplicado em educação, habitação, segurança, está sendo usado para pagar a roubalheira de pessoas ligadas ao ex-governador Jaime Lerner.
Citando fatos publicados no livro “Histórias sobre Corrupção e Ganância”, do corajoso jornalista Wilson J. Gasino, destacamos a seguir mais uma das muitas operações que fraudaram os paranaenses.
Diversos políticos famosos - alguns com mandatos até hoje - e grandes empresas do nosso estado se beneficiaram com a roubalheira no Banestado. A chamada grande imprensa silenciou covardemente sobre fatos gravíssimos, para se beneficiar do dinheiro que jorrava sem controle.
Entre as centenas de casos escandalosos, podemos citar a denúncia ao Juízo da 2º Vara Federal Criminal de Curitiba: os advogados Fausto Pereira de Lacerda e Milton João Bettenheuser Júnior, ambos funcionários do Banestado e também colaboradores credenciados para cobranças do banco, exercendo a mesma função dentro e fora do banco, recebendo duplamente para isso e tendo a facilidade de controlar todo o processo de cobrança.
“Esses dois funcionários tiveram participação decisiva na seleção dos créditos que seriam repassados ao Banco Itaú e à Agência de Fomento do estado do Paraná no processo de privatização. Fausto de Lacerda era advogado da empresa de cobrança Rio Paraná e Milton Bettenheuser passou a ser após a privatização do Banco. A Rio Paraná, foi, após a compra do Banestado pelo Itaú, a empresa encarregada de cobrança dos créditos pendentes. Milton chefiava o Departamento Jurídico do Banestado no processo de saneamento preparatório para a Privatização e Fausto. que também dirigiu esse Departamento, foi Diretor de Reestruturação em Privatização, além de Consultor Jurídico da Presidência.
Um exemplo de como esse esquema pode beneficiar empresas devedoras, funcionários da área de cobrança e o próprio Banco Itaú em detrimento do Banestado e do povo do Paraná, é o caso da Fortuna Factoring e Arrendamento Mercantil Ltda. Essa empresa tinha dívidas da ordem de R$ 2,5 milhões com o Banesta-do. Esse montante foi assumido como perda pelo banco no período de privati-zação e constou como valor podre de venda para o Itaú.
No entanto, após a privatização, a Fortuna quitou o valor da sua dívida por R$ 800 mil junto ao Itaú e à Rio Paraná, ou seja, 30% do valor. Para a Fortuna foi uma economia de R$ 1,7 milhão e para o Itaú e a Rio Paraná um lucro de R$ 800 mil sobre um valor comprado como podre. Para o Banestado (leia-se povo do Paraná) porém, representou a perda do valor financiado de R$ 2,5 milhões.
“Além disso, há o aspecto político envolvido, já que o avalista da Fortuna era o ex-presidente do Partido da Frente Liberal (PFL) no Paraná, João Elísio Ferraz de Campos, correligionário do ex-governador Jaime Lerner.”
A CPI do Banestado na Assembléia Legislativa do Paraná avaliou uma pequena amostragem de créditos herdados pela Rio Paraná após a privatização e foram encontrados muitos casos onde dívidas gigantescas foram quitadas por em média 10% do seu valor.
É para isso que os paranaenses pagam impostos? Para que quadrilhas lideradas por políticos que compram a imprensa e a opinião pública, roubem impunemente?

Continua na próxima edição.